Reabre o céu depois de uma chuvada
no azul do dia.
É o azul do nada com que se fazem os deuses e a poesia.

Vergílio Ferreira


11/01/2012

Hoje

Hoje, uma sinfonia de anjos iluminou a minha noite e tudo voltou ao seu lugar.



10/01/2012

“Naquele momento creio ter entendido: a cidade não é um lugar. É a moldura de uma vida, um chão para a memória. Enrolei a linha, e regressei a casa, o poente avermelhando a paisagem e os flamingos trazendo o céu para junto da terra. Então, ganhei certeza: a cidade em que nasci estava destinada a crescer de mim. Um arame invisível nos prendia os pulsos, a mim e à minha terra natal.”
Mia Couto. “A cidade sonhada”, in Pensageiro Frequente




Cartografia interior


“O Homo sapiens sobreviveu porque nunca parou de viajar. Dispersou-se pelo planeta, inscreveu a sua pegada depois do último horizonte. Mesmo quando ficava, ele estava partindo para lugares que descobria dentro de si mesmo. (…)
E foi assim: o mais remoto deserto, a mais impenetrável floresta foram sendo povoados com os nossos fantasmas. E hoje todos os lugares começam por ser nomes, lendas, mitos, narrativas. Não existe geografia que nos seja exterior. Os lugares – por mais que nos sejam desconhecidos – já nos chegam vestidos com as nossas projeções imaginárias. O mundo já não vive fora de um mapa, não vive fora da nossa cartografia interior.”
Mia Couto. E se Obama fosse Africano? e outras interinvenções

Ligações

“Em tudo há uma hereditariedade dinâmica.” Ruben A.. Páginas (II)

30/12/2011

Encanto



“As pessoas que se estimam nunca se deviam apartar; a culpa tem-na a nossa complicada civilização; o encanto seria que os que se amam se juntassem em tribos, acampando aqui e além com as suas afeições, e a sua bilha de água, and settling down to be happy, anywhere, under a tree.”
Eça de Queirós, carta a Emília de Pamplona (1885)

Educar para a incerteza

“É necessário preparar e educar as novas gerações para a incerteza. Como? Centrando o ensino e as aprendizagens no adquirido fundamental, a saber: diversificada formação cultural (as línguas, as literaturas, a história, a filosofia, as artes) combinada com uma sólida cultura científica (a matemática e as ciências). (…) A incerteza exige, antes de mais, solidez de conhecimentos e capacidade de os mobilizar para situações novas. Essa solidez adquire-se com esforço – nomeadamente de memorização – treino, trabalho sistemático e disciplina. A capacidade de mobilizar o conhecimento desenvolve-se através da prática de resolução de problemas, do incentivo à reflexão, do raciocínio demonstrativo, do confronto de soluções. Os dois requisitos completam-se e tornam-se indispensáveis principalmente quando sustentados em atitudes favoráveis aos processos de mudança e adaptação, nomeadamente de caráter organizacional.” David Justino. Difícil é Educá-los (2010)

Ensino e tecnologias

“as tecnologias não passam de instrumentos, sofisticados e atraentes , sem dúvida, mas tão-só instrumentos. Se o aluno não sabe estruturar um texto argumentativo, não há nenhum processador de texto que o ajude. Se não sabe interpretar o enunciado de um problema, não será a folha de cálculo que o fará. Se não sabe formular um problema, nenhum programa o ajudará a encontrar a melhor solução. (…) Mais do que aprender a fazer, as aprendizagens têm de orientar-se para o aprender a pensar. Este á o grande desafio de quem não quer ficar pela «sociedade da informação» e quer entrar decisivamente na «sociedade do conhecimento». (…) É pela educação que se chega à tecnologia e não contrário. Por isso, torna-se decisivo pensar primeiro naquela e só depois nesta sob risco de estarmos a criar novas ilusões, tão frustrantes quanto tantas que as antecederam.”
David Justino. Difícil é Educá-los (2010)