Reabre o céu depois de uma chuvada
no azul do dia.
É o azul do nada com que se fazem os deuses e a poesia.

Vergílio Ferreira


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25/06/2014

Tu

Com a noite dos teus olhos
escusava lua e estrelas.

Com a fonte da tua boca
não teria mais sede.

Com a raiz do teu ombro
para quê teto ou abrigo?

Só a luz me faria falta
para poder olhar-te.


Luísa Dacosta. A maresia e o sargaço dos dias
Fatalidade

Não sei tecer
senão espumas,
nuvens
e brumas.
Coisas breves,
leves,
que o vento desfaz.

Como prender-te
em teia tão frágil?


Luísa Dacosta. A maresia e o sargaço dos dias
Busca

Procuro a palavra,
a de sílabas de luz,
que inteira nos revelaria.
Impossivelmente, busco
a nunca encontrada.
Embrionária e prisioneira,
dorme para todo o sempre
no seu ovo de silêncio.


Luísa Dacosta. A maresia e o sargaço dos dias